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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

A família

Todos nós a temos, salvo raríssimas excepções! Uns têm-na pequena, outros grande! Para uns, uma mesa chega para os colocar todos, para outros nem uma casa inteira é suficiente. O que é certo é que vivemos tempos atrozes e o maior suporte destas dificuldades, é sem dúvida a família!

Onde é que procuras abrigo quando estás mal? Onde é que vais contar os teus problemas, quando mais ninguém se importa? Onde é que te escondes para repensar em tudo o que te aconteceu? Onde é que pedes auxílio quando mais precisas dele? Onde é que largas a máscara e és tu, sem preconceitos, nem pudores? É sem dúvida, no seio da tua família!

Quem é que está disposto a aturar-te nos teus dias maus? Quem é que, independentemente de tudo o resto, está sempre de braços abertos para ti? Quem é que leva com o pior do teu mau feitio? E apesar, de às vezes, ficarem magoados, nada dizem! É a família mais próxima!

Por isso, se tens uma família, não vires as costas aos teus! Sejam agradecidos por existirem na vida uns dos outros, se suportarem e, inclusivé até aprenderem uns com os outros! Acima de tudo, sejam uma família feliz!


segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Tralhas e mais tralhas

Já viram por aqui que sou gajita de guardar muita tralhada mas descobri por este fim de semana que casei com um gajito que ainda é  pior que eu.

No sábado foi dia de acartar tralhas do marido de casa dos Sogros. Minha nossa, não é que o rapaz além de guardar tralhas ainda guarda as respectivas caixas! Aquilo eram caixas de carrinhos, de perfumes, de componentes de computador, de esferográficas, de tudo...

Estão a ver o filme! Metade das coisas, entenda-se caixas, foram parar ao lixo! Ainda não sei onde vou arranjar espaço para tanta bugiganga! Mas com um bocado de boa vontade e paciência tudo se arranja. Afinal, também sou um pouco assim... Quando dois tralhas se juntam não pode dar boa coisa!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

E é sempre a crescer...

Eu sou uma mulher maravilhada com esta coisa chamada maternidade, com este ser que jamais se descolará de mim. É a força do cordão umbilical!

Mas vamos ao que interessa! Existem várias teorias sobre a saída dos miúdos do quarto dos Pais. Uns dizem que se deve fazer o mais cedo possível, para se tornarem mais autónomos, outros dizem que não! Enfim, teorias, teorias, teorias...

No caso da minha filha, como foi um bebé muito chorão e de sono atribulado, a pediatra aconselhou a não tirar do quarto! Disse até que ela podia ficar com traumas relativos ao abandono! E eu como mãe galinha que sou, lá cumpri à risca a directiva. Bolas, não vá o diabo tecê-las!

Mas na minha mais humilde opinião: é quando tiver de ser! Existe uma ordem natural para tudo! E cada caso é um caso. A minha pequena há muito tempo que andava a stressar na cama de grades, a miúda remexia-se para um lado, remexia-se para outro, grunhia, acordava transpirada...

Foi então que esta semana decidi que a ia colocar a dormir no quarto dela com uma cama maior, um espaço mais arejado, um ambiente agradável. Claro que ainda se põe aos gritos a meio da noite a chamar pela mãe e lá vai o tinóni (eu) em seu auxílio. É chato, é, mas é para ela se começar a habituar! Para já até faço um balanço positivo da experiência!

Aí, é tão gira esta idade que só me apetece encher a miúda de beijos e abraços! Qualquer dia já vai para a escola! Credo, como o tempo passa!

quarta-feira, 17 de abril de 2013

O meu Avô

A minha filha é uma felizarda por poder usufruir de quatro avós. Quatro!!! É isso mesmo. Quatro avós que brincam, que interagem, que mimam, que protegem e que a deixam fazer algumas asneiradas. Eu também tive avós mas a minha relação mais especial foi com o meu avô materno que deixou na minha memória lembranças muito intensas, que jamais se apagarão. Era um avó como todos os outros: brincava com os netos, defendia-os, protegia-os, mimava-os, acarinhava-os. Era um homem grande, forte, altivo, de traços bem marcados pelo tempo mas com uma expressão doce e um sorriso simpático. Falava com a sabedoria de quem já tinha vivido uma vida, de quem já muito tinha passado.

Recordo-me de muita coisa, que fiz com o meu avó. 
Lembro-me de ir à missa com ele, de braço dado, sempre de passo certo, e que ele fazia um passo diferente para ver se eu me enganava, mas era tal a cumplicidade que eu acertava sempre.
Lembro-me de ele me levar às procissões da aldeia e lá ia eu de veste branca e argolas na cabeça, a fazer de anjinho, sempre ao seu lado.
Lembro-me de ele me ter feito um balancé só para eu andar e depois passávamos horas naquilo: eu no balancé e ele a empurrar para ver se eu tocava com os pés no beiral da casa.
Lembro-me de jogar às cartas com o meu avô. Ele todas as tardes fazia a sesta e depois eu batia à porta, suavemente com os dedos e ele dizia "Pode entrar!" e lá ia eu. Inicialmente só jogávamos ao burro mas um dia ele cansou-se e disse "Vou-te ensinar um jogo!" e ensinou-me a jogar à sueca. Então todas as tardes era um fartote de cartas.
Lembro-me de fazermos os dois malandrices aos gatos lá de casa.
Lembro-me de me contar anedotas picantes e lengalengas.
Lembro-me de me ter ensinado a rezar.
Lembro-me de contar histórias da vida dele.
Lembro-me de ter uma namorada (nesta fase já era viúvo) e perguntar-me o que é que eu achava dela.
Lembro-me de eu e uma amiga minha termos tentado casar os nossos avós mas a coisa não deu certo.

Tudo isto corria bem, até que um dia, o meu avô, que tinha algumas doenças, nomeadamente a diabetes e outras coisas mais que não me lembro bem, começou a queixar-se com muitas dores no corpo. Ainda me lembro dele, debruçado sobre uma mesa, a lamuriar-se que não aguentava as dores, que se sabia o que tinha matava-se. Na altura não compreendi bem. Não me apercebi da verdadeira dimensão dos factos. Foi então que a minha mãe, um dia à noite, chamou-me a mim e ao meu irmão e disse-nos para nos irmos preparando, que o nosso avó ía morrer, que estava canceroso, que já tinha passado para os ossos, que nada havia a fazer. Eu não queria acreditar. Começámos os dois a chorar, a soluçar. Como era possível? Queria que o meu avô vivesse mais tempo, eu só tinha doze anos. Porquê privarem-me desta presença que eu gostava tanto.

E ele acamou. Lembro-me de todos lá em casa ajudarem a dar banho ao avô. Lembro-me de ele ter começado a tomar morfina. Lembro-me dele às vezes variar, não dizendo coisa com coisa. Lembro-me de que me levantava todos os dias um pouquito mais cedo, para antes de ir para a escola, poder estar com o meu avô e despedia-me sempre dele, com dois beijos. Lembro-me à noite, antes de ir deitar, fazer o mesmo, ir ao quarto dele, tagarelar com ele, desejar-lhe sempre boa noite com dois beijos. E isto assim, uns poucos de meses.

Até que um dia, na véspera do último dia de aulas (em que ia haver grande festarola), antes de me ir deitar, depois de estar um pouco com ele, só lhe dei um beijo e ele disse-me: "Dá-me outro!". E eu lá lhe dei... No dia seguinte, quando ia para ir ter com o meu avô, os meus pais e irmão estavam a sair do quarto e disseram para eu não ir lá que o avô estava a dormir, a descansar. Como estava entusiasmada com a festa na escola, não reparei nas expressões deles, nem desconfiei de nada. Às quatro da tarde, vi o meu irmão na escola e não foram precisas palavras, eu li-lhe o rosto. Fui pelo caminho a chorar. Aquela presença tão viva tinha ido embora para sempre e eu sem saber tinha lhe dado um último beijo suplicado pelo próprio na véspera. Não consigo escrever esta história, sem que as lágrimas me caiam pela face. Fica a saudade e a lembrança eterna...

sexta-feira, 29 de março de 2013

Os Pais

Ontem ao olhar para os meus Pais, senti neles a preocupação que mais me atormenta: o futuro. Não é que não tenha já tido este sentimento, mas desta vez foi diferente. Olho para eles e vejo dois rostos envelhecidos, com traços bem marcados pelo tempo, com uma vida de muita labuta já passada, com alguns sinais vitais já a falharem... E agora no final da vida deles, que deviam gozar, divertir-se porque muito já lutaram, porque crianças não tiveram tempo de ser, não.  Preocupam-se e lutam ainda, com todas as forças que ainda têm pelos seus e é vê-los cheios de alegria com os netos, deliciarem-se com as asneiradas da criançada e alimentam-se disto, vivem para isto e sofrem em silêncio quando algo não está bem. E muitos de nós, não damos muitas vezes valor ao bem mais precioso que temos: os pais - aqueles que nos criaram, educaram, que nos deram o melhor que puderam, que estão lá para nos ajudar, apoiar, proteger mas que também sabem que um dia não estarão lá... E quando isso acontecer, como vai ser?

sábado, 23 de março de 2013

Mano

Um dia destes num almoço de família, virei-me para o meu irmão e disse:
- Ó mano passa-me aí as batatas, se faz favor!!!
A minha sobrinha mais velha, que estava ao nosso lado, olhou para nós, franziu as sobrancelhas e disse:
- Mano?!
E nós lá lhe explicamos que o pai dela era meu irmão e que por isso ela era minha sobrinha e eu a tia dela e patati patatá... Não sei se a miúda ficou convencida ou desligou a ficha antes mesmo de termos terminado a explicação... Mas ao olhar de longe para esta situação, até achei engraçado, eu na casa dos inta e o meu irmão na casa dos enta e tratá-lo como tratava quando era mais nova. O que sei é que ele não me chama muitas vezes mana, talvez por eu ser a mais nova, a cassulinha, a protegidinha e ele ter tido a responsabilidade de mano mais velho, protetor e amigo. Lembro-me de sermos bons guardadores de segredos um do outro, de incobrirmos durante anos as asneiras que fazíamos à minha mãe e quando ela descobria já era tarde... Lembro-me de sair à noite e ir à discoteca  pela primeira vez com ele. Lembro-me de um dia ele me encontrar o meu diário (sim, na fase da adolescência escrevia que me fartava), ter-se fechado no quarto de banho e ter lido o meu diário todo em voz alta e eu do outro lado aflita. Lembro-me de me andar sempre a chatear com a história dos namorados. Lembro-me de ambos fazermos várias coleções e ele levar sempre a melhor quando fazíamos uma troca. Lembro-me de ser impossível estarmos os dois em casa, pois molhávamos a casa toda com pistolas de água e o meu avô coitado, sempre a resmungar connosco. Lembro-me de opinar também sobre as namoradas dele. Lembro-me das cócegas intermináveis no sofá até à hora de ir para a cama. Lembro-me da paixão dele ser o futebol e num aniversário meu ele dizer que ia marcar um golo para mim e assim o fez... E isto tudo para dizer que ele para mim vai ser sempre o meu maninho... É tão bom ter irmãos, preenchendo uma pequena parte da vida de boas recordações... Já me estou a imaginar com setenta e tal anos, toda coxa e ele com oitenta e picos de muleta e eu ainda a tratá-lo por Mano e a nossa descendência futura achar aquilo "bué da estranho"!!!